Amsterdam
Depois de alguns finais de semana totalmente sozinho no fim do mundo foi muito fácil decidir o que fazer do salário do estágio que eu estava fazendo em Bocholt - fugir de lá.
Lá pela quarta semana de um estágio de 3 meses, eu já tinha todos os outros fins de semanas planejados com viagens, passagens e estadias reservados. Amsterdam, Londres, Sevilha, um de volta a Mannheim - era a hora de aproveitar o finzinho do verão e a boa reputação que tinha conseguido para emendar algumas segundas e sextas e conhecer cidades européias que sempre quis conhecer.
A primeira delas, pela distância (Bocholt fica a uns 20km da fronteira com a Holanda) seria Amsterdam. O irônico é que após esta primeira fase de isolamento, justamente agora que eu estava decidido a viajar, começavam a chegar outros estudantes na Siemens, que poderiam tornar menos monótonos os fins de semana Bocholtianos.
Mas agora era tarde, eu já tinha definido meus fins de semanas nômades e nada me impediria de fazê-lo. Tentei até convidar um amigo tailandês, mas acho que ele ainda não estava convencido da chatisse do vilarejo e não quis me acompanhar. Eu já tinha perguntado para várias pessoas e ir para Amsterdam era muito simples. Era preciso tomar um ônibus até a primeira cidade da Holanda e de lá tomar um trem para a Capital deste pequeno país.
Fiz conforme o planejado e fora os problemas habituais de se entender o sitema de passagens de um novo país, os destinos que eu tinha que seguir e o mau humor padronizado dos vendedores de bilhete ("eu falo inglês, por que você não aprende holandês?"), a ida a amsterdam foi relativamente tranquila (e solitária).
A primeira impressão de Amsterdam é bem interessante, a cidade é bem bonita com seus canais entrecortando a cidades, e se não fossem os turistas que infestam a cidade, tem-se a impressão de estar em alguma vila hippie dos anos 60. Aparentemente tudo aqui está ligado à arte de rua ou ao consumo de drogas. Outros simbolos onipresentes são as tulipas, os moinhos de vento e Van Gogh.
Eu ainda não tinha hotel reservado em Amsterdam, mas estava certo que conseguiria algo em conta para uma pessoa por uma noite. Fui caminhando em direção ao centro da cidade quando meu caminho foi interrompido por um desfile de carros alegóricos. Não, eu não havia experimentado os doces venenos da cidade, até porque tenho certeza que nem nas maiores viagens lisergicas eu seria capaz de produzir a cena ridícula de um carro alegórico com cores brasileiras com uma "mulata" com fantasia de carnaval calçando tenis e muito menos o cabeludo com cara de roqueiro num samba-do-crioulo doido que ninguém merecia.
Segui então a uma região onde havia alguns albergues. Era uma rua bastante menos glamurosa que as entrecortadas por canais que eu havia visto, mas depois de alguma procura perambulando pela cidade encontrei uma cama que ficava em cima de um Pub Irlandês. Você fazia o check-in no balcão do bar, e entre uma cerveja e um sanduíche a mocinha me pediu meus documentos em um carregado sotaque irlandês.
Para subir para os quartos eu tinha que passar para o outro lado do balcão e passar por uma escada em espiral que não passaria em nenhuma inspeção de segurança. O quarto era um quarto comum com camas que me lembraram as do campo de concentração de Dachau, o que completava o ar de clandestinidade do local.
No quarto comum, alguns espanhois fumavam um baseado embaixo da placa de "Proibido usar drogas" e um chileno e sua esposa francesa dividiam a beliche vizinha à minha. Como estavam dormindo, decidi sair para dar uma volta.
Voltei ao centro e dei algumas voltas por lá, e ao voltar para o "hotel", talvez pelas luzes que agora estavam acesas com a luz do dia escasseando foi que notei que eu estava no Red Light District, o reduto gay e de prostituição de Amsterdam.
Lá pela quarta semana de um estágio de 3 meses, eu já tinha todos os outros fins de semanas planejados com viagens, passagens e estadias reservados. Amsterdam, Londres, Sevilha, um de volta a Mannheim - era a hora de aproveitar o finzinho do verão e a boa reputação que tinha conseguido para emendar algumas segundas e sextas e conhecer cidades européias que sempre quis conhecer.
A primeira delas, pela distância (Bocholt fica a uns 20km da fronteira com a Holanda) seria Amsterdam. O irônico é que após esta primeira fase de isolamento, justamente agora que eu estava decidido a viajar, começavam a chegar outros estudantes na Siemens, que poderiam tornar menos monótonos os fins de semana Bocholtianos.
Mas agora era tarde, eu já tinha definido meus fins de semanas nômades e nada me impediria de fazê-lo. Tentei até convidar um amigo tailandês, mas acho que ele ainda não estava convencido da chatisse do vilarejo e não quis me acompanhar. Eu já tinha perguntado para várias pessoas e ir para Amsterdam era muito simples. Era preciso tomar um ônibus até a primeira cidade da Holanda e de lá tomar um trem para a Capital deste pequeno país.
Fiz conforme o planejado e fora os problemas habituais de se entender o sitema de passagens de um novo país, os destinos que eu tinha que seguir e o mau humor padronizado dos vendedores de bilhete ("eu falo inglês, por que você não aprende holandês?"), a ida a amsterdam foi relativamente tranquila (e solitária).
A primeira impressão de Amsterdam é bem interessante, a cidade é bem bonita com seus canais entrecortando a cidades, e se não fossem os turistas que infestam a cidade, tem-se a impressão de estar em alguma vila hippie dos anos 60. Aparentemente tudo aqui está ligado à arte de rua ou ao consumo de drogas. Outros simbolos onipresentes são as tulipas, os moinhos de vento e Van Gogh.
Eu ainda não tinha hotel reservado em Amsterdam, mas estava certo que conseguiria algo em conta para uma pessoa por uma noite. Fui caminhando em direção ao centro da cidade quando meu caminho foi interrompido por um desfile de carros alegóricos. Não, eu não havia experimentado os doces venenos da cidade, até porque tenho certeza que nem nas maiores viagens lisergicas eu seria capaz de produzir a cena ridícula de um carro alegórico com cores brasileiras com uma "mulata" com fantasia de carnaval calçando tenis e muito menos o cabeludo com cara de roqueiro num samba-do-crioulo doido que ninguém merecia.
Segui então a uma região onde havia alguns albergues. Era uma rua bastante menos glamurosa que as entrecortadas por canais que eu havia visto, mas depois de alguma procura perambulando pela cidade encontrei uma cama que ficava em cima de um Pub Irlandês. Você fazia o check-in no balcão do bar, e entre uma cerveja e um sanduíche a mocinha me pediu meus documentos em um carregado sotaque irlandês.
Para subir para os quartos eu tinha que passar para o outro lado do balcão e passar por uma escada em espiral que não passaria em nenhuma inspeção de segurança. O quarto era um quarto comum com camas que me lembraram as do campo de concentração de Dachau, o que completava o ar de clandestinidade do local.
No quarto comum, alguns espanhois fumavam um baseado embaixo da placa de "Proibido usar drogas" e um chileno e sua esposa francesa dividiam a beliche vizinha à minha. Como estavam dormindo, decidi sair para dar uma volta.
Voltei ao centro e dei algumas voltas por lá, e ao voltar para o "hotel", talvez pelas luzes que agora estavam acesas com a luz do dia escasseando foi que notei que eu estava no Red Light District, o reduto gay e de prostituição de Amsterdam.

