Berlim II - ciclo básico. 

Ah Berlim...estava muitíssimo frio, os rios com blocos de gelo flutuando, flocos de Neve caindo.. Flocos de neve?? Sim! esqueci de contar! na curta saída pela noite anterior, enquanto esperávamos o Strassenbahn começamos a notar que o vento carregava alguns pontos brancos pelo ar, NEVE!!!! ok, ok, depois eu descobriria que chamar aquiles rarefeitos pontos de neve era ridículo, mas para amadores em termos de neve como eu, eles estavam revestidos de toda uma mistificação, toda uma mágica, que só me permitia tomar uma atitude: abrir a boca para o céu e tentar capturar algumas destas geladas gotas dançantes com a ponta da língua.
Eu sei, descrito assim, soa um tanto ridículo, mas que se vai fazer, assim são a maioria das reações às surpresas agradáveis, uma mistura de fascinação com felicidade que invariavelmente produz cenas patéticas.
Mas voltando ao dia seguinte (perdoe o paradoxo), o dia tinha um solzinho desses que são muito comuns em dias de inverno, aquele solzinho que não esquenta mais ilumina, fazendo brilhar a escassa neve que se acumulava pelas calçadas.
E tinhamos muito a visitar, nos dias que seguiram fomos aos principais pontos turísticos, o portão de Brandemburgo, o prédio do parlamento alemão, a Humbolt Universität, a Alexanderplatz outra vez.
Em frente à Universidade, onde se dizia que lecionou Einstein, uma homenagem aos livros queimados na primeira fogueira pública promovida pelo nazismo. No centro da praça absolutamente vazia, uma pequena janela no chão mostra vários andares subterrâneos forrados de prateleiras vazias.
O prédio do parlamento alemão, totalmente reformado depois da reunificação, unia o antigo ao moderno com a fachada clássica e uma cúpula de vidro, representando a desejada transparência do órgão mais importante da república. O edificio aberto à visitação permitia, depois de um forte esquema de segurança que se subisse até o topo da cúpula, permitindo uma vista de cima das cadeiras onde sentam-se os parlamentares.
No final do dia ainda passamos pela Alexanderplatz e pela praça ao lado, uma praça gigantesca e vazia, somente com uma estáta com Marx e Engels lado a lado. Estamos na alemanha oriental!

O Muro

E como descrever a sensação de estar face a face com o Muro? Há uma parte do muro chamada East Side Gallery, um trecho de uns 200 metros do muro original, pintados por artistas depois da queda do muro. Outros vestígios do muro podem ser encontrados perto do "Check-point Charlie" antiga guarita americana do lado ocidental (lembre-se, a alemanha rendida havia sido dividida entre os vencedores URSS, USA, França e Inglaterra). Aí ainda se pode ver a tal guarita com as famosas incrições em vários idiomas "You are now leaving the american sector".
Além disso, por toda a cidade resta a cicatriz do muro com uma placa de tantos em tantos metros "Berliner Mauer 1961-1989".
Pergamon Museum
O Museu Pergamon é ao mesmo tempo surpreendente e indignante. Seu nome vem de sua principal atração, o Templo grego da cidade de Pergamon, na Pérsia, então colônia grega. É incrível ver este e outros templos inteiros dentro de um museu, como a porta de Ishtar, da Babilônia, mas ao mesmo tempo revoltante de se saber que eles não estão onde deveriam estar, em seus lugares de origem.

..e muito mais
Sim, mas Berlim tem infinitas outros visitáveis para quem gosta de artes e história (como eu!). Na Potzdamerplatz, praça de onde foi retirada a primeira fatia do muro, resta hoje somente ela, a primeira (recolocada, claro) com uma placa indicativa. Este solitário bloco de concreto pré-moldado por sua vez assiste a uma verdadeira revolução arquitetônica. O modernoso Sony Center, um vulcão iluminado projetado pelo renomado Renzo Piano fica exatamente em frente e é o capitalismo em forma de monumento. Nada de beleza inútil, a idéia é que se aproveite a movimentação em torno do novíssimo ponto turístico para se ganhar dinheiro, claro. Também, o que se podia esperar de um prédio que já no nome tem patrocínio?

Saturday, November 08, 2003


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